domingo, 4 de agosto de 2013

Festa em Trogir

Conto os dias para voltar a casa. Não porque não goste de estar aqui com os irmãos do mundo inteiro, mas porque sei que é impossível ficar indefinidamente e porque estou saturado de melancias! Nunca pensei na vida ver tantas melancias! É ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar... Creio até que já sonho com melancias! Podem imaginar as piadas que entre nós frades surgiram a propósito... como a fruta oficial do Capítulo!
Mas não é sobre particularidades gastronómicas que pretendo escrever, embora possam surgir algumas entretanto, porque numa refeição com gente de diversas proveniências e culturas é mais do que expectável que aconteça. A não ser que fôssemos monges com voto de silêncio... o que não é o caso!
Na verdade somos muito faladores! E cada um se defende na língua que pode! Podem pensar em Babel, no episódio bíblico da confusão das línguas (cf. Gn 11,1-9), mas eu acredito mais na força amorosa de Pentecostes! (cf. Act 2,1-12)
Ainda ontem, na parte da tarde, fomos ao centro da cidade de Trogir, para a celebração festiva do beato Agostinho Kažotić (nascido nesta cidade em 1260, frade dominicano e nomeado em 1303 bispo de Zagreb. Destacou-se pelo seu grande amor aos pobres e morreu na cidade italiana de Lucera em 1323). A celebração presidida pelo actual Cardeal de Zagreb foi concelebrada pelo bispo de Šibenik e o arcebispo de Split-Makarska.
A esta Eucaristia acorreu muita gente local, mas também estrangeira e não me refiro apenas aos frades, porque a praça diante da Igreja, onde decorreu a cerimónia, é muito próxima ao ancoradouro dos barcos e das muitas esplanadas, repletas de turistas, que fazem as suas delícias.
A língua utilizada naturalmente foi o croata (servo-croata para ser mais preciso) e algumas vezes, para não ficarmos sem entender nada, umas palavras em francês que amavelmente o nosso irmão, Provincial da Croácia, nos dirigia.
Mas mesmo não entendendo o croata, atrevia-me a cantar as canções cujas melodias me eram familiares e seguia religiosamente o guião que nos fora distribuído antes.
A festa prolongou-se nos claustros do convento, por sinal muito antigos (o convento começou a ser construído cinquenta anos depois da confirmação da Ordem em 1216), com os "comes e bebes" merecidos depois de duas horas de celebração!
Muita animação entre nós! Os frades latino-americanos com as suas canções cheias de ritmo agitavam os ares quentes que corriam pelos claustros e as várias irmãs dominicanas animavam a festa com os seus risos! Um dia em cheio!
Mas já agora... durante este jantar volante dei por falta de uma coisa e como eu outros irmãos também notaram. Faltavam inexplicavelmente as travessas com as melancias!!!




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