segunda-feira, 22 de julho de 2013

Escutar com amor

Acabamos de jantar. Uma sala repleta e mais um terraço com várias mesas. Um calor húmido, como é próprio a quem está tão perto do mar.
Para primeiro dia, posso vos dizer que foi variado e intenso. Variado pela diversidade de culturas, línguas, proveniências... Intenso pela Palavra celebrada e debatida.
O dia começou com a celebração da eucaristia na nossa Igreja de Santa Cruz que fica a dois passos do hotel. Que melhor forma teríamos nós de começar este Capítulo senão com a solenidade de Santa Maria Madalena, Apostola Apostolorum e protectora da Ordem?!
Fr. Bruno Cadoré, Mestre da Ordem, presidiu a esta celebração matutina e tocou-nos com a sua pregação, recordando o encontro de Maria Madalena com Jesus e como esse acontecimento mudou a vida desta mulher, outrora marcada pela separação, pela divisão interior e agora encontrando-se nesta alegria da missão de anunciar o Senhor.
A igreja é pequena para os que somos, mas a força da Palavra que nos convoca torna grande o coração de quem escuta e acolhe!
É preciso participar em encontros deste género para conseguir perceber a dimensão da Ordem, mas também para saber o trabalho que dá organizá-los! Um simples exemplo... Para a liturgia de cada dia foi preparado um livro de 236 páginas!
Na parte da manhã decorreu o primeiro dos muitos plenários pensados para estes dias, com a apresentação de todos os irmãos e irmãs participantes. Fizeram-se também os ensaios para as votações, porque o voto é electrónico e convém saber em quais botões carregar!
Os trabalhos da parte da tarde começaram com a exposição, por parte do Mestre, da sua Relatio. Esta, sinteticamente, além dos dados demográficos e afins, teve como eixo três verbos: Estudar, Pregar, Fundar.
Na realidade, a nossa vida dominicana é isso mesmo ou, pelo menos, aspira a sê-lo. Uma vida "irrigada" pelo estudo alicerçado na contemplação. Um estudo que nos exige mais interdisciplinariedade e, por isso mesmo, maior diálogo com as outras ciências. Sem descurar nunca, claro está, o amor à Palavra de Deus. Algo que em algumas comunidades nem sempre é palpável.
Fr. Bruno insistiu na urgência de um diálogo entre a pastoral que fazemos e a reflexão teológica que somos chamados a oferecer e recordou a importância, para todas as províncias, da elaboração de uma planificação apostólica ou projecto apostólico.
Neste campo, Portugal possui desde o ano 2000 a sua planificação. Creio, no entanto, que é um texto que necessita ser revistado com alguma frequência para a sua própria actualização.
O debate por grupos linguísticos, após a apresentação do Mestre da Ordem, teve por base a Relatio e amanhará veremos o resultado do trabalho dos vários grupos.
O dia, no entanto, teve para mim um outro momento "alto". A oração de Vésperas, com a Exposição do Santíssimo e a possibilidade de celebrarmos o Sacramento da Reconciliação.
Não é fácil encontrar palavras para condensar um momento em que somos convidados ao silêncio. Silêncio que o pregador, como nos recordou Fr. Timothy Radcliffe, ex-Mestre da Ordem, tanto precisa!
Do lado do silêncio a escuta. A escuta modifica-nos! E para escutar é necessário, segundo o mesmo fr. Timothy, inteligência, criatividade e caridade. Isto é, tudo fazer para escutar o outro, para o entender e acolher.
Se não todos, muitos dos nossos problemas residem na deficiente escuta que fazemos. No fundo, a nossa falta de escuta resulta também, tantas vezes, da ausência de silêncio dentro de nós.
Que o Senhor conceda a cada um, no seu coração, a alegria de escutar com amor!

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