terça-feira, 23 de julho de 2013

Por mares nunca antes navegados

Os sinos da torre da Igreja tocam a repique. São sete da manhã e entra o cortejo para a celebração da Eucaristia. Celebramos a festa de Santa Brígida da Suécia, co-padroeira da Europa. A liturgia deste dia é na língua de Cervantes. Prega um irmão de Puerto Rico que, com graça, se pergunta sobre o que pode dizer um caribenho de uma mulher do norte da Europa.
A ideia forte da Liturgia da Palavra vem-nos do Evangelho de São João: Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto. E pela voz do nosso irmão do Caribe chega-nos o desafio de permanecermos no Senhor, confiantes de que, mesmo na nossa pobreza, daremos frutos abundantes, tal como Santa Brígida, apesar das inúmeras vicissitudes na sua vida.
Na parte da manhã reunimos-nos para a sessão plenária. Refiro de passagem que a sala dos plenários é mesmo em frente à praia... Será que conseguem vislumbrar a imagem de cem frades de hábito branco por entre os banhistas que usufruem do mesmo espaço por onde passamos? Se isto não for evangelização... no mínimo é sacrifício! Calor e um mar cristalino convidativo e não podermos dar um mergulho!
Praias à parte... mergulhemos nos temas de hoje!
O primeiro momento da sessão foi dedicado à escuta das reacções dos vários grupos linguísticos à Relatio do Mestre sobre o estado da Ordem. Bem como ao debate das questões em torno à nossa missão, à vida comum e à planificação apostólica, quer das províncias em geral, quer das comunidades em particular. Um diálogo sempre fraterno e em espírito de interajuda.
A segunda parte consistiu na apresentação das propostas para as comemorações do Jubileu por ocasião dos 800 anos da aprovação da nossa Ordem (1216-2016) pelo Papa Honório III.
As propostas, para os próximos três anos, são deveras abundantes e criativas e colheram, por parte da assembleia, uma forte salva de palmas. Toca agora ao Capítulo debater e propor estas propostas ou outras que entretanto surjam.
Durante a tarde os trabalhos realizaram-se por comissões. Para este encontro foram pensadas oito comissões: Jubileu 2016 e renovação da missão evangelizadora da Ordem, Estudo, Formação, Pregação, Vida Comum, Governo e reestruturação, Economia e LCO (Livro das Constituições e Ordenações).
Participo na comissão sobre a Pregação. É uma comissão que trabalha em inglês e espanhol (inicialmente era em inglês e francês, mas não tendo nenhum irmão cuja língua mãe fosse o francês sugeriu-se a mudança linguística que foi bem aceite pela assembleia capitular).
Nesta comissão estão dois espanhóis (um deles é missionário na selva amazónica), um italiano (que trabalha no diálogo ecuménico em Bari e é o irmão decano no Capítulo), um alemão (leigo casado e pai de dois filhos), um mexicano (que vive e trabalha no Chile), um nigeriano, um vietnamita (leigo com uma página web que todos os dias tem mais de 10.000 visitas... sim, dez mil!), um indiano (que vive na Cúria em Roma), um paquistanês (que trabalha o diálogo com o islão) e eu!
A tarefa não se apresenta nada fácil e não é apenas por uma questão de compreender o que o irmão ao nosso lado diz. É uma comissão composta de muitos mundos. E os temas que espera abordar não são menos numerosos... A nossa presença nas paróquias (como podem imaginar é um tema que me é caro), a pregação através dos meios de comunicação social, o trabalho com os migrantes, relação entre educação e evangelização, escolas de pregação, diálogo intercultural e interreligioso, presença entre povos indígenas, pastoral nos centros urbanos, peregrinações do Rosário e devoções populares e o processo Salamanca (que consiste no diálogo entre a acção pastoral e a reflexão teológica).
Por esta simples enumeração podem antever uns dias de intenso calor humano no discernimento e na busca de uma missão comum. Contamos com as vossas orações!



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