sexta-feira, 26 de julho de 2013

O mar guarda os seus segredos

Da janela do meu quarto vejo o mar (aqui em Trogir - Croácia). Nem sempre tenho a oportunidade de olhar o mar. Para alguns será uma coisa sem importância, mas para mim não. É um privilégio! Passei uma parte significativa da vida junto ao mar. Significativa porque aconteceu numa fase de crescimento. Naquela fase em que sonhámos (na suposição de não sonharmos em todas as fases da vida), em que o olhar vai além daquilo que o horizonte encerra.
O mar guarda os seus segredos e com ele também os meus. Muitas vezes lhe segredei baixinho os pensamentos, os medos e os desejos! E em tantas outras lhe confiei as lágrimas... Sim, os homens também choram! E quantos choram junto ao mar! Choram por aqueles que um dia partiram e nunca mais viram chegar. Choram pelas palavras mal amadas que em cada dia têm que enfrentar. Choram pelas  emoções e os sentimentos que não conseguem expressar. E porque choram, estendem o coração até ao mar!
Há melancolia na onda que pacientemente toca a praia... Há melodia na palavra diluída pelo mar... Há o sussurrar do vento por entre o canavial... E há o silêncio que te convida a saborear!
Alguém se pergunta, mas porquê? Porquê dar-se a conhecer? Porquê desvelar os segredos do olhar? Porquê o fluir contido das palavras? Talvez porque me deixo tocar, embalado ao som do piano de Niall Byrne em The Promenade. Aí está o segredo... deixar-se tocar! Querer que o outro nos toque. Nos toque pela palavra, pela vida, pela presença dos seus dias nos nossos dias. E no fundo, todos sabemos que necessitamos que os outros nos toquem para nos sentirmos vivos. Para sentirmos que Deus, no seu amor, se fez humano para nos tocar.
Aquele que um dia há-de proclamar a Palavra, terá que tocar-te o coração para que se faça entender. Quem for chamado a anunciar a Boa Nova terá que sentir o bater do teu coração - como os dedos tocam as teclas do piano - para te encontrar!
Sei que hoje não escrevo uma crónica como as que tenho feito nestes últimos dias e peço desculpa por isso. Espero que acolham estas palavras na simplicidade que elas querem significar. Os que conhecem o mar... Os que para ele olharam e com ele sonharam... e os que me conhecem... as saberão receber e guardar.


Sem comentários:

Enviar um comentário